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OUTROS TEXTOS SOBRE O TRABALHO DO IRMÃO URBANO
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M.Paz |
1 - Ouvindo
Urbano Medeiros...
Dea Miranda(1)
2 - Urbano Medeiros quer divulgar Música
Terapêutica
(Arquidiocese
de Belo Horizonte)
| Ouvindo
Urbano Medeiros... (Déa Miranda) |
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Na
última sexta-feira, desfrutamos da maravilhosa música de Urbano Medeiros.
Ele estava em um programa da Rede Vida, falando sobre improvisação
da música instrumental. Com tranqüilidade e
segurança, expunha os seus pontos de vista, explicava com conhecimento
profundo o que vive no seu dia-a-dia. Falava
como se estivesse no aconchego da sala de sua casa, junto aos seus familiares.
Para ele tudo isso é simples como respirar...
Não
consegui desviar a atenção das suas palavras por nenhum momento. Eu queria
aproveitá-las ao máximo e temia que algumas delas se perdessem.
E a sua música, meu Deus, como ele consegue extrair lá do fundo da alma
melodias tão divinas? Digo que são divinas sem medo de errar, pois acredito
que tudo que é belo vem de Deus. É um momento de êxtase, de experiência
transcendental se envolver com a sua música. Fico imaginando quanto bem ele
faz, levando-a para as pessoas que sofrem no corpo ou na alma. A música pode
curar, pode aliviar uma dor, pode nos arrebatar de um abismo.
O
que achei mais incrível foi ouvi-lo descrever a sua forma de captar os sons.
Parece haver um fio condutor ligando o seu coração ao saxofone
e as impressões que ele capta
transformam-se em sons. As imagens o inspiram e
ele vê em sua mente a escala musical. Olha para a montanha, ela se
transforma em melodia. É como se ele entrasse na freqüência dela. Imagine
que coisa: captar a sensibilidade de algo inanimado. Outras vezes, a música
vai surgindo do nada, talvez sejam imagens retidas no seu inconsciente.
Enquanto
ouvia a sua explicação, eu me lembrei de que as poesias que escrevo, às
vezes, se formam assim também, através de imagens que vejo, ouço. Às
vezes, são transformadas em versos imediatamente, outras, ficam adormecidas e
se despertam em momentos especiais.
Desde
criança, a arte, em todas as suas manifestações, me atraiu. No final da
adolescência, tive enfim a oportunidade de iniciar aulas de pintura e piano.
Apesar de ter-me saído bem nessas aulas, faltava alguma coisa. As imagens que
surgiam em minha mente, com riqueza de detalhes, com nuances de tons
maravilhosos faziam pluft como uma
bolinha de sabão quando ia pintá-las. Apagavam-se todas. Eu não conseguia
trazê-las para a tela a minha frente. Se fechava os olhos elas ficavam
retidas e, foi por isso, que experimentei pintar com as pálpebras assim, mas
quando ia conferir estava aquela bagunça. Não havia sequer uma pincelada
aproveitável. Fui perdendo a motivação, pois não queria copiar os modelos
existentes. A música exigia estudos freqüentes para que as partituras não
fossem esquecidas. Além disso, eu também não sabia tirar no piano as
melodias que eu criava.
Mas
com as palavras era bem diferente. Esse transporte era realizado com a maior
tranqüilidade, nem precisava buscá-las. Elas surgiam em grande quantidade e
eu fazia delas o que bem quisesse.
O abstrato podia ser registrado de uma forma tão clara como se fosse
fotografado pela câmera digital mais evoluída. Foi por causa disso, que me
dediquei com exclusividade à escrita. As outras coisas, vou deixá-las para a
terceira idade, se acaso um dia chegar lá. Talvez tente novamente realizar
esse transporte e, tendo a serenidade como companheira da velhice, talvez o
consiga.
Urbano
consegue fazer isso brincando. É o dom que recebeu de Deus. Só isso explica
a sua facilidade em captar instantaneamente os
sons no ar, nas nuvens, no
espaço, no universo. O seu saxofone fica inteiramente sob seu comando e os
dois parecem um só. É tanta harmonia! Tanta cumplicidade! Que coisa mais
linda!
De
repente, a apresentadora se despede. Meu Deus, não pode ser! Volto-me para
Paulo e pergunto: “Já acabou?!” Paulo diz: “Sim. São dois blocos!”
Falei pesarosa: “Não é possível, passou tão rápido!” Fiquei por
alguns momentos como uma criança que prova um pedaço delicioso de uma torta
e depois a retiram de sua frente. Mas o sabor daquele momento ainda perdura e
é sentindo-o, que escrevi esse texto.
(1)Membro
da Associação de Escritores de Pará de Minas - deamiranda@nwm.com.br
| Urbano
Medeiros QUER divulgar
música terapêuTICA (Arquidiocese de Belo Horizonte) |
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O maestro e compositor Urbano Medeiros não está encontrando espaço para
mostrar o trabalho missionário que desenvolve com música religiosa e terapêutica.
Com problemas de saúde que enfrenta em razão do desgaste físico que sofre com
esse trabalho, o músico está tendo até que vender instrumentos para custear o
tratamento e manter sua família. Aos 50 anos de idade e 30 de profissão, ele
reclama que só têm oportunidade aqueles que estão freqüentemente na mídia.
Maestro desde os 17 anos de idade e pesquisador da música litúrgica de raiz,
principalmente a de origem oriental, Urbano é bastante crítico em relação à
programação musical de rádios e TVs católicas. Ele argumenta que a qualidade
da maioria das músicas é muito ruim, já que o intuito dos compositores tem
sido puramente comercial. Não existe preocupação em se fazer uma melodia bem
elaborada ou uma letra que expresse uma mensagem bonita.
O que Urbano deseja é que dioceses, paróquias e movimentos religiosos lhe dêem
a oportunidade de ministrar cursos e workshops de música, para que ele possa
repassar seus conhecimentos para outras pessoas. O compositor faz pesquisas
minuciosas da música, e isso pode enriquecer as pessoas e grupos que atuam nas
paróquias e comunidades. Seu instrumento principal é o saxofone, mas ele também
toca clarineta, violão, cavaquinho, teclado e instrumentos de percussão.
O trabalho de Urbano é reconhecido até pelo Papa João Paulo II que, depois de
ouvir suas músicas, enviou-lhe uma mensagem, elogiando-o. O músico acredita
que seu trabalho também poderia ser melhor aproveitado por rádios e TVs católicas.
O contato com Urbano pode ser feito pela Caixa Postal 170 – Cep: 36660-970 –
Pará de Minas (MG) – telefone:(37) 3231-1332 ou 9102-1579
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